“Apoios às Coletividades deveriam ser dados consoantes os trabalhos”

“No âmbito do Dia do Artista, assinalado ontem, 24 de agosto, o Tribuna da Madeira ouviu as aspirações do Grupo de Folclore e Etnográfico da Boa Nova. Uma das grandes apostas da Instituição “está na investigação e pesquisa tanto de arquivo, biblioteca ou de campo, com a finalidade de muitas delas ficarem registadas em livro”.

Tribuna da Madeira (T.M.) – A que se propõe o Grupo de Folclore e Etnográfico da Boa Nova?

Danilo Fernandes (D.F) – Desde a primeira hora e segundo o Artigo 2.º dos seus Estatutos, a “Sua finalidade é a de interpretar o folclore musical da Madeira, como sejam bailados, e canções tradicionais e regionais adentro dos aspectos folclórico e etnográfico, de modo a conservar, engradecer e valorizar o património artístico, cultural e recreativo da Madeira, tendo em atenção e cuidado a sua pureza regional, tradicional e histórica”. Outras das grandes apostas da Instituição está na investigação e pesquisa tanto de arquivo, biblioteca ou de campo, com a finalidade de muitas delas ficarem registadas em livro.

Com a inauguração do Centro Cívico de Santa Maria Maior, a 18 de Abril de 2007, a coletividade passou a usufruir, para além da sua sede social, de um espaço feito para resguardar e expor todo o vasto património etnográfico adquirido desde o início dos anos noventa até à presente data, dando a cognominação de Núcleo Museológico de “Arte Popular”. Pararelamente área citada, encontra-se também a Biblioteca e Arquivo Documental da Instituição.

T.M. – Quais os desafios que se apresentam ao grupo?

D.F. –  O maior desafio que a nossa instituição tem pela frente é preparar o futuro da coletividade – após o projeto-vida do seu líder “Danilo José Fernandes” – de forma que todo o seu empenho não caia em “saco-roto”. Para isso estamos a trabalhar para que nos seus quadros administrativos e no sei Núcleo Museológico de “Arte Popular”, tenham agentes profissionais, com capacidades para dar resposta à riqueza patrimonial da associação, que é um legado histórico do povo madeirense inalienável.

T.M. – Como analisam os apoios dados às artes na Região Autónoma da Madeira?

D.F. – Os apoios às coletividades deveriam ser dados consoante os trabalhos que as próprias desempenham, mas com dados concretos e não com objetivos ou promessas irreais. Basta comparar o que tem sido feito nos últimos vinte e cinco anos pela nossa instituição, e as restantes associações congéneres, para ver as grandes dissemelhanças inequívocas, mas que em termos de apoios esta virtude não é posto em causa. Aliás, em termos de futuro, a nossa associação terá de ser vista como um bem histórico privado de interesse regional, apoiado financeiramente para dar continuidade às investigações nas áreas do folclore e etnografia (as quais têm sido feitas com as expensas da instituição) e da manutenção do seu espaço museológico.”.

(“Tribuna da Madeira, 25/08/2017, p. 24, texto de Tânia Cova”)

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