Sarilhos

Ficha Técnica

"Utensílio usual para ensarilhar as maçarocas em meadas. Na Madeira os mais vulgares são feitos de madeira ou de canavieira, formados por uma haste entre 52 a 60 cm, com dois braços atravessados em cada extremo, distanciados um do outro, entre 30 a 37 cm (conforme os sarilhos existentes no Núcleo Museológico) e em posição desencontrada. Esta variedade de utensílio é comum no Alto Alentejo, Baixo Alentejo, Algarve e Açores.

O sarilho é empenhado pela mão que dá mais jeito e o fio é enleado, com a mão contrária: Coloca-se a maçaroca dentro de um recipiente redondo, pega-se na ponta do fio do linho e prende-se no lado esquerdo do braço de baixo. Estende-se o fio e dá-se a volta por cima da parte direita do braço de cima. Ao mesmo tempo, roda-se o sarilho para o lado esquerdo, de modo que o fio se vá enrolando sempre na parte direita de cada braço, ora em cima, ora em baixo. Quando se engana no entrelaçar, diz-se que fez o cavalo.

Uma meada é geralmente formada por uma certa quantidade de maçarocas (não conseguimos certificar a quantidade, embora saibamos que, em Portugal continental varia de dez a doze maçarocas) que se ajustam uma nas outras à medida que vão sendo ensarilhadas. No final, a ponta do fio prende ao feixe de fios da própria meada e só será apartada quando a meada vai à barrela e a corar. A meada, antes de se retirar do sarilho, é atada com várias voltas largas de fio – o costado ou cabrestilhe -, para não se desfazer.

Nas freguesias da Fajã da Ovelha e da Ponta do Pargo, para além deste modelo, havia um outro completamente distinto: rotação vertical, em madeira, constituído por quatro braços em cruz, com uma pequena peça transversal ligeiramente abaulada, em cada ponta, eixo horizontal em madeira, com manivela do mesmo prosaico, apoiado sobre dois sustentáculos paralelos do mesmo material, que estão fixos numa base também de madeira."

 

FERNANDES, Danilo José,

As Ferramentas do Linho e da Lã – O ADN do Povoamento Rural da Madeira

Edição Grupo de Folclore e Etnográfico da Boa Nova, 2016

pp.65-67