Maças

Maças

Ficha Técnica

"Após o processo de enxugamento, é novamente amarrado em mancheia ou maúça, para ser amassado com uma maça, sobre uma pedra a que davam o nome de maçadoiro.

A maça era uma ferramenta de extrema importância na elaboração da contextura do linho, era usual em todo a ilha da Madeira (aqui na região não há registos de massagem do linho por meio do engenho) e constituía a segunda fase da separação da matéria fibrosa têxtil dos tecidos lenhosos. Era feita de madeira sem âmago: do buxo (o mais usual por ser rija e pesada), til, castanho, nespereira, pau branco, carvalho, faia, sanguinho, damasqueiro, entre outros. É cilindriforme, munida de um cabo talhado na própria peça e pesava entre 750 gramas a 1.800 gramas.

O seu manuseamento consistia na seguinte forma: seguravam com a mão direita a maça e agarravam, com a mão esquerda, a mancheia ou maúça de linho. Começavam a amassar energeticamente pelas raízes sobre o maçadoiro, depois invertiam a posição da mancheia ou maúça e continuavam a achatar até ficar todo bem espalmado.

Na generalidade o processo da massagem do linho era feito por homens (salvo raras exceções), por ser um trabalho árduo e muito mais robusto.

Em certas freguesias da ilha, o linho, depois de amassado vai a alagar. Entre os vários testemunhos auferidos, temos a exemplificação da Maria Encarnação Gouveia, do sítio dos Casais de Baixo, freguesia da Ribeira da Janela: “As mancheias são colocadas umas por cima das outras encruzadas, ficando em empilheira. Depois é abafado com tapete de retalho ou coberta (nunca dobrado), durante dois ou três dias, levando sempre água de manhã e à noite. Depois é posto novamente espalhado ao sol para secar, para então gramar.“

Este processo também era usual, no Porto Moniz, Ponta do Pargo e Fajã da Ovelha.

No enxugamento também utilizavam os fornos caseiros (depois de cozido o pão), para ficarem bem secos, pois, quando mais ásperos os talos melhores seriam para o apartar das fibras têxteis.

No concelho de Santana e na freguesia de Machico o linho, depois de amassado, era posto novamente ao sol ou em fornos caseiros, para depois então ser gramado (o processo de humedecimento depois de espalmado não existia)."

FERNANDES, Danilo José,

As Ferramentas do Linho e da Lã – O ADN do Povoamento Rural da Madeira

Edição Grupo de Folclore e Etnográfico da Boa Nova, 2016

pp.55-56