Sedeiro

Sedeiro

Ficha Técnica

 "A assedagem constitui a última fase do processo do filamento, onde se efetuava a separação das fibras mais longas e finas, das mais curtas e grossas.

Na Madeira existiram quatro tipos de sedeiros (segundo os vários testemunhos obtidos). Qualquer um deles tem uma prancha em madeira, onde está incorporado um cepo também do mesmo material, retangular ou quadrado, revestido com chapa e com dentes de aço:

O primeiro é um sedeiro com um toro quadrado ou retangular e apenas com uma variedade de puas, altas e espaçosas, que serve para separar os tomentos e a estopa do linho.

O segundo tem um cepo retangular, com duas funcionalidades: um lado é para o fim do anterior e do outro lado, separar a estopinha do linho (neste caso as puas são mais finas, mais baixas e mais juntas).

O terceiro opera do mesmo modo do segundo mas tem um formato distinto: preso à tábua fica um toro quadrado, com um orifício ao meio incorporando as puas para a estopinha, ficando encoberto por uma caixa quadrada ou feitio de pirâmide, também com um buraco da mesma altura do interior, sustentando na parte superior os dentes para o tomento e estopa, fixos por uma cavilha.

A sua funcionalidade é muito simples: na primeira fase utilizam o recetáculo para separar a parte mais grossa e curta, posteriormente a mesma é retirada ficando a descoberto o compartimento para a estopinha.

Só na freguesia de Santana encontramos referências a um quarto tipo de sedeiro: tem o mesmo estilo do terceiro mas, neste caso, com mais uma divisória: a primeira para o tomento e estopa, a segunda para a estopinha e a terceira para o linho, ficando na mão os filamentos mais longos e finíssimos a que dão o nome de moio.

Para a assedagem do linho, a mulher coloca o sedeiro no chão, senta-se e prende a tábua do sedeiro entre as pernas (ficando as puas do sedeiro a meio), agarra uma mancheia, enrola uma das pontas no dedo indicador da mão direita, sacode para endireitar e alargar os filamentos, passa entre os dentes do sedeiro em movimento leve e cuidado, acompanhado e amparando a maúça com a mão esquerda (o tormento do linho nunca cramou nada, senão os dentes do sedeiro), penteando primeiro nos dentes mais grossos e depois nos dentes mais finos (isso no caso de haver duas variedades de dentes). Assedada de um lado, invertiam a posição da mão-cheia e assedavam do outro lado.

Quando completamente limpo da estopa e da estopinha, é dobrado a meio e entrançado, formando uma estriga."

FERNANDES, Danilo José,

As Ferramentas do Linho e da Lã – O ADN do Povoamento Rural da Madeira

Edição Grupo de Folclore e Etnográfico da Boa Nova, 2016

pp.61-62